

Um grupo de 19 das 27 federações estaduais de futebol divulgou um manifesto conjunto nesta quinta-feira (15) pedindo profundas mudanças na estrutura da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O documento, que marca uma ruptura significativa com a gestão de Ednaldo Rodrigues, defende "estabilidade institucional", "renovação de lideranças" e "descentralização" no comando da entidade.
A publicação ocorreu logo após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro afastar Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF, decisão que nomeou o vice Fernando Sarney como interventor com a missão de convocar novas eleições "o mais rápido possível". A CBF já entrou com recurso pedindo a permanência de Ednaldo no cargo.
O movimento das federações surpreende pelo timing e pela composição, já que boa parte dos signatários havia apoiado unanimemente Ednaldo em sua reeleição realizada em abril deste ano. Agora, essas mesmas instituições articulam-se para construir uma nova candidatura à presidência e vice-presidências da entidade.
"É também momento de resgatar a autonomia interna da CBF, hoje sufocada por uma estrutura excessivamente centralizada e desconectada das instâncias que compõem o ecossistema do futebol nacional", afirma trecho do manifesto, em crítica direta ao modelo de gestão atual.
As federações assinantes incluem representantes de todas as regiões do país, com destaque para entidades do Nordeste, Norte e Sul. Entre os signatários estão as federações do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, além de 15 outras entidades estaduais.
O documento também menciona desafios históricos do futebol brasileiro que, segundo as federações, não foram devidamente enfrentados: calendário desequilibrado, arbitragem sem profissionalização adequada, problemas com gramados, questões de segurança nos estádios e necessidade de fortalecimento das competições.
"Queremos uma CBF forte, querida por dentro, admirada por fora — e novamente amada por todos que fazem do futebol a alma do nosso país", conclui o manifesto, que propõe uma gestão "mais democrática, mais integrada e mais aberta à participação de todos".
O afastamento de Ednaldo Rodrigues ocorre em meio a investigações na comissão de ética da própria CBF. O presidente afastado é alvo de duas denúncias distintas: uma apresentada pela deputada Daniela Carneiro (União-RJ) sobre suposta falsificação, e outra feita pelo vereador Marcos Dias Pereira (Podemos-RJ), relatando acusações de funcionários sobre assédios e descumprimento de normas internas.
Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal tem agendado para 28 de maio o julgamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que pode impactar diretamente o futuro da CBF. O plenário do STF decidirá sobre a validade do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2022, que determinou a eleição vencida por Ednaldo.
Rodrigues assumiu inicialmente o comando da CBF de forma interina em agosto de 2021, substituindo Rogério Caboclo, afastado após denúncias de assédio sexual e moral. Em abril deste ano, foi reeleito com apoio unânime das federações e clubes das Séries A e B para um mandato de quatro anos.
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